Especial 8 de março: A mulher tem lugar no mercado financeiro?

No Dia Internacional da Mulher, a CredMov propõe uma reflexão sobre o espaço dado às mulheres atualmente

Mulher, mãe, esposa, filha, irmã, profissional, funcionária, empreendedora, dona de casa etc. São tantas as funções assumidas e tanto ainda a ser conquistado. Embora comemorado desde 1911, o Dia Internacional da Mulher tem ganhado mais representatividade a cada ano. Aos que não sabem, a data simboliza muito mais do que uma chance para dar flores ou chocolates. Temas como o empoderamento feminino e a igualdade de gêneros tem provocado grande repercussão nas mídias e motivado bastante discussão.

É um dia para avaliar o papel da mulher no mundo empresarial e porque não, na sua vida! A falta de oportunidades, a discriminação, a violência e o feminicídio ainda são crescentes. Um levantamento feito pelo portal de notícias G1 aponta que no Brasil uma mulher é assassinada a cada duas horas. Ainda há muito para ser mudado, a representatividade feminina no mercado de trabalho, por exemplo. Dados e estudos comprovam que as mulheres ainda enfrentam desigualdade de salários e oportunidades no mundo corporativo, bem como na política.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), temos 56% das mulheres em idade economicamente ativa empregadas no Brasil. Em comparação, temos 78,2% dos homens empregados. O documento da OIT mostra um fator positivo em relação ao Brasil, o país tem uma diferença percentual entre os gêneros um pouco menor do que no resto do mundo. De modo geral, está na 97ª posição em 188 países no Índice de Desigualdade de Gênero (Gender Inequality Index – GII).

A crise financeira e até mesmo a dificuldade de inclusão, fez com a participação feminina aumentasse no empreendedorismo. Conforme um levantamento realizado pela Loja Integrada, só no segmento virtual, 30% dos e-commerces abertos em 2017 foram criados por mulheres.

Entre tantos cenários em que as mulheres enfrentam o preconceito e a desigualdade, o mercado financeiro talvez seja o mais desafiador. Tradicionalmente masculino, tanto no quesito atuação, quanto na credibilidade para conseguir créditos.

Embora as mulheres estejam se arriscando mais no mercado financeiro, informações da BM&F Bovespa, mostram que elas estão participando mais na Bolsa de Valores do país e já somam mais de 130 mil investindo, ainda encontram resistência na disputa de vagas neste segmento e a falta de confiança do mercado quando precisam conseguir créditos, financiamentos e empréstimos.

Infelizmente, essa realidade é enfrentada por mulheres no mundo inteiro. Uma pesquisa realizada na Europa, a WeStart, mostra que a falta de acesso ao financiamento é uma das principais barreiras enfrentadas pelas empreendedoras sociais. Já nos EUA, relatório divulgado em dezembro de 2017 pelo Federal Reserve de Nova York e de Kansas City, expôs que o financiamento é concedido de forma desigual às empreendedoras.

O parecer sinalizou que as solicitações de empréstimos corporativos feitas por empresas de homens e mulheres foram feitas em proporções equivalentes, contudo, os pedidos das mulheres foram mais recusados, apenas metade foram aprovadas. Em comparação, a taxa de aprovação dos homens foi de 61%.

Uma das possíveis razões levantadas pelo estudo sobre essa desigualdade na liberação do crédito poderia ser a área de atuação das empresas lideradas por essas mulheres. A grande concentração, 40% delas, estão em áreas como educação, saúde, serviços profissionais e imóveis, em comparação com 31% das empresas de propriedade masculina.

A CredMov, empresa especializada em serviços de créditos, representada por seu sócio fundador, Everton Braga, explica que infelizmente essa realidade ainda é vista em algumas instituições, mas que isso tem se modificado gradativamente. “Avaliamos o cliente de acordo com o potencial de pagamento e o histórico financeiro que ele apresenta, independentemente do gênero, pois temos visto um crescente número de empreendedoras surgindo com projetos que podem alavancar a economia”.

De fato, estes dados interferem diretamente no desenvolvimento econômico do país. O salário desigual e a falta de oportunidade para mulher no mercado de trabalho barram o crescimento do Brasil. Segundo estimativas da OIT, a inserção da mulher no mercado de trabalho traria uma expansão econômica para o país de até R$ 382 bilhões em oito anos.

Entre tantas reivindicações, o reajuste salarial equiparando cargos e valores aos gêneros já seria um grande avanço. Divulgado ontem (07/03/2018), o estudo Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprova que, entre 2012 e 2016, as mulheres ganharam, em média, 75% do que os homens, mesmo sendo maioria no ensino superior, o público feminino soma 23,5% contra 20,7% dos homens com o mesmo grau de formação.

Acabar com a fome, garantir educação de qualidade, investir na sustentabilidade, alcançar a igualdade entre os gêneros e empoderar todas as mulheres e meninas são apenas alguns dos “17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, por líderes de 193 países, entre eles o Brasil. Esse acontecimento demonstra que o desejo de que todo e qualquer ser humano tenha igualdade de direitos em todas as áreas de atuação permeia o mundo. No entanto, é possível que a igualdade esteja em simplesmente ser diferente e aceitar a beleza disso.

Feliz Dia Internacional da Mulher hoje e sempre!

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